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POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

DE UMA VEZ POR TODAS...

 

não deixem arder mais o país.

 

 

Quando, de uma vez por todas, entenderem que de incêndios e seus combates sabem os bombeiros e só eles se poderão organizar e governar; e, então, fizerem disso uma coisa séria. 
Quando, de uma vez por todas, entenderem que abriram estradas que mais serviram para sair do que para entrar do/no interior do país e que as árvores não têm pernas para ir e vir. 
Quando, de uma vez por todas, entenderem que é mais importante vigiar as florestas e penalizar quem as agride, do que vigiar e penalizar a falta do uso de cinto de segurança dos condutores de automóveis. 
Quando, uma vez por todas, se importarem e quererem saber mais dos interesses de quem mais beneficia com os incêndios, do que apresentar, como resultados de sucesso de investigação, uns tontinhos que pegam fogo com piriscas de cigarro. 
Quando um dia, de uma vez por todas, entenderem que um país vale pelo seu território – todo – e pelas suas riquezas naturais, muito mais do que apenas pelas belas praças de cidade ou brisas do mar... 
Bem, sei lá eu mais que dizer...
Mas, por favor, não queiram ferir a minha inteligência, que é já tão pouquinha!

 

 

PENSAMENTOS

 

Deram-te uma escada
e começaste a subir.
Levaram-te à lua
e quiseste ser tu a acender a noite.
Mostraram-te coisas simples
da vida, do mundo...
e que agora precisavam de ti
e desviaste o olhar.

 

 

EXISTE

 

Existe um lugar
lá dentro
onde nos queremos eternos…
Existe um lugar 
lá dentro
onde as cinzas permanecem.
Existe um lugar 
lá dentro
onde somos para além dos gestos
do toque, do sol, da chuva, do vento
do cheiro das flores
do arco-íris, do sono…
Existe um lugar
lá dentro
bem no fundo, íntimo
onde existimos muito
e revelamos pouco.

 

 

CHUVA

 

Cai aos pingos no caminho
Como fios de algodão
E vai formando um charquinho
Parecido a um coração

 

Quiseram-se orvalhos juntar
Ao manto d´água a crescer
E do charco fez-se um mar
Onde embarquei, p´ra te ver

 

 

chuva.jpg

 

 

VISITAS

 

Que bom saber que em 11 meses (incorporação de novo contador de entradas neste espaço - outubro/2016) fui espreitado dos 4 cantos do mundo.

E não digam que as pedras duma montanha podem ser paredes!...

 

JLD

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48º AO SOL

 

Que me importa
se me faltarem 
os ventos
os versos
os poemas acabados;
se não souber das margens
ou das linhas centrais
das estradas que percorro
se tenho um barco 
a navegar solto 
à bolina
ao sol e ao sal
no mar do pensamento...

 

 

 

ATALHO

 

Vou aí, por ti e para ti

todos os dias, a todas as horas

à sede e na senda do teu sorriso

num pestanejar

num sopro do respirar

ao arfar do peito e do desejo

num barco de beijo à proa

pelo mar franqueado ao amor…

E vou, só por ti, longe, tão longe

e tão depressa

porque sabes e me ensinaste

o caminho mais curto das distâncias

se atalhado pelo coração

ao seu querer maior!

 

 

RUA DO SILÊNCIO

 

Um dia perguntei ao silêncio
por que se tinha instalado 
na minha rua silenciosa...
“Porque nas ruas do silêncio 
procuro melhor

ouço melhor

e trato melhor dos meus ruídos”
Respondeu.

 

 

DIFERENTE, OU NÃO

 

Beberia das mesmas fontes 
de águas lavadas 
e de outras também.
Cruzaria os mesmos caminhos
alguns de pó, outros de pedra
e muitos mais, longos, de asfalto
que nunca soube onde chegavam.
Olharia as mesmas montanhas
o mesmo mar, as mesmas ondas
à mesma hora, ou sem relógio.
Amaria da mesma forma 
quem amei e quis amar
sabendo-o bem, ou nem sabendo.
Sentar-me-ia no mesmo lugar
à espera do mesmo olhar
do mesmo abraço, do mesmo cheiro
e sonhando sempre, mesmo acordado.
Voltaria a procurar-me...
a inventar-me…
Isto, faria do mesmo jeito.
O resto, faria e farei, talvez igual.

 

 

 

 

REQUIEM

 

Quando o oeste e o mar um dia transbordarem
e as cidades cansarem dos excessos;
quando as pessoas fartarem de se olhar
nas montras coloridas e espelhos baços;
quando os montes e as serras 
secarem vazios na febre do verão
e descerem na torrente das águas
no tempo das chuvas;
quando apenas sobrar o silêncio
no adro da igreja...
saberão do mal que fizeram
a uma terra e a um país!
E, então, poderá ser tarde demais
para se encontrar tanta coisa que se perdeu
entre pedras caídas, telhados quebrados 
e flores e memórias sepultadas....
E não estranhem depois
se o nem o cuco, por lá
cantar no mês de maio!