Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

Prenda

 

Queria dar-te um mar imenso 

um campo em flor 

as manhãs ao despertar

o sopro fresco do vento

o sol raiando, o calor. 

Queria dar-te um rio grande a descer 

ribeiras que ele acolhe 

águas de lima, refrescos

fontes fartas a verter…

Queria dar-te gotas de orvalho, cristais

paisagens em esplendores

rosas de todas as cores

perfumadas nos beirais.

Queria dar-te o doce que verte um beijo

um abraço enternecido

um afago, um horizonte...

uma tarde ao pôr-do-sol

o olhar solto ao desejo…

Queria dar-te tudo de mim

o meu sonho…

que o sono teima em guardar!

 

 

... com toda a ternura e emoção que lhe guardo no peito

 

João Luís Dias 

 

 

Noite

 

Só comigo ao vidro baço da janela

no palpebrar cadente dos olhos

a noite é apenas noite

e o silêncio mudo

ouve o sussurro dos versos

que te chamam…

E o sorriso foi dormir

antes de mim

querendo-me a cama morna.

Se ausente te sei

mesmo que só um pouco

me ausento todo de mim!...

 

 

 

 

Para vocês...

 

Para vocês que me lêem no tricotado dos versos e me vão deixando poisar no colo dos afectos, à sombra dos olhos que vos quero,  desejo nesta quadra de Natal - que queria, e sei que queriam como eu,  mais igual e solidária - toda a felicidade do mundo.

 

Um abraço

 

João Luís Dias

 

E saibam que fazem parte da minha “lista”, guardada onde guardo os tesouros e castelos que sei  e que também invento…

 

 

 

 

Menina dos olhos d´água

 

Perdoa-me o abuso amigo e maestro Pedro, mas usarei estes teus dois brindes poéticos para oferecer a uns "olhos d' água" que quero que me cerquem...

 

 

 

Poemas de Pedro Barroso

Declamação por Mário Viegas

Cantado por Pedro Barroso


 

"Esteiros" . romance Soeiro Pereira Gomes

"Fanga" - romance Alves Redol

"Tejo" - rio marginal a Lisboa


Ary dos Santos

 

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

 

 

 

Enquanto a fome continuar a ser vulgar, permaneça ainda mais o grande poeta!

 


Chuva

 

Cai aos pingos no caminho
Como flocos de algodão
E vai formando um charquinho
Parecido a um coração

Quiseram-se orvalhos juntar
Ao manto d´água a crescer…
E do charco fez-se um mar
Onde embarquei, p´ra te ver…

 

 

 Porque hoje até a impertinente chuva me enternece...

 

Calidum - Adiadas Dunas

 

Divulgamos texto de José Guimarães Antunes, publicado na edição de 20 de Dezembro, no jornal "Geresão".

CALIDUM APRESENTA “ADIADAS DUNAS”

Pelas 17 horas do dia 11 de Dezembro, a CALIDUM - Clube de Autores Minhoto/Galaicos -apresentou, no Museu Nogueira da Silva - Braga, o livro “Adiadas Dunas” de Francisco Manuel Mariño. Este autor, que nasceu em Santa Marta de Ortigueira (Coruna - Galiza), é docente de Literatura Alemã na Universidade de Valladolid e com esta publicação pretende dar a conhecer a sua criação poética.
Abriu a cerimónia de apresentação o presidente da CALIDUM, João Luís Dias, que começou por agradecer ao director do museu a cedência do espaço. Depois, agradeceu ao professor Henrique Barroso por este “se ter ocupado de toda a edição deste livro que honra a CALIDUM". Salientou que se orgulha da editora a que preside e garantiu que dificilmente se desviará da sua principal missão: publicar livros sem qualquer fim lucrativo. Sublinhou que os livros editados são para ser oferecidos não estando nas suas previsões a sua comercialização. Para continuar a publicar livros sem fins lucrativos, recorrerá às instituições que o queiram apoiar ao abrigo da lei do mecenato.
Posteriormente, Henrique Barroso apresentou o autor de quem é amigo há uns longos anos. Afirmou que Francisco Mariño é um Galego conhecedor de Portugal, das nossas tradições e da nossa cultura. Salientou a especial admiração de Francisco Mariño pela nossa cultura, nomeadamente, por Camões, por Miguel Torga e por Fausto.

 

 

 

 

Depois, foi a vez do professor Jorge Pimenta apresentar a obra “Dunas Adiadas”. Fez uma reflexão sobre a poesia e sobre a obra. Encerrou a sua intervenção destacando a importância do poeta como sendo “um plantador de sonhos”.

O autor, Francisco Manuel Mariño, agradeceu aos presentes e afirmou que gosta de muito de Portugal e da cultura portuguesa. Para si, Braga tem um significado especial, principalmente por ter muitos amigos bracarenses.
No final desta apresentação, dois jovens deliciaram os presentes com um sarau musical. Aproveitamos para felicitar os pianistas Bárbara Dias Luís e Diogo Dias Martins, filhos das terrabourenses Alice Dias e Goretti Dias, que souberam interpretar magistralmente Bach e Chopin.
Parabéns a estes jovens talentosos e magníficos e obrigado à CALIDUM por publicar mais um livro e por oferecer uma cerimónia com tanta qualidade.
Com a publicação do livro “Adiadas Dunas”, a CALIDUM já contabiliza 26 títulos, tendo sido apenas um deles co-editado com a Câmara Municipal de Terras de Bouro.
Terras de Bouro pode orgulhar-se por ter uma editora como a CALIDUM. De facto, temos uma editora que mais nenhum concelho circunvizinho tem, sendo, por isso, merecedora do apoio das instituições concelhias.
Aproveito esta tribuna para agradecer à CALIDUM e, em particular, ao seu presidente todo o trabalho por si desenvolvido no apoio à criação literária e em prol da nossa cultura.
Um enorme bem-haja à CALIDUM e ao seu presidente!

 

 

Ao José Guimarães o meu duplo agradecimento: por me permitir copiar do blogue Terras de Bouro o texto e foto supras e pela sempre muita atenção que tem pela minha pessoa.

 

Um abraço meu amigo

 

João Luís Dias

 

 

Jornal "Geresão)

 

O Jornal “Geresão” celebra o seu 20.º aniversário

 

Por altura do 20.º aniversário  do Jornal “Geresão” (o jornal da minha terra),  cumprimento o seu e meu  director, Dr. Agostinho Moura, já que há 15 anos (ou mais, nem lembro bem!), me tem a seu lado nesta odisseia de levar notícia de nós por cá e pelas comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

E vão-nos “pagando”, apenas, com afectos. E basta!

Venham outros tantos, que cá estaremos para nunca dizer não às coisas que valem.

 

 

!

(imagem da capa da edição de Dezembro-2010)

 


Doce de amor

 

  (para a Felipa, uma menina especial)

 

Queima devagar os meus olhos
ao fogo aceso dos teus
e senta-me depois
entontecido de emoção
no paraíso morno do teu coração
onde te tricotar
com versos de seda
um lenço branco
que te colha as lágrimas
quando, valendo a pena
chorares de amor
ainda que sorrindo doce

como sorris…

 

 

Pensamento

 

Lançadas pelos fracos, as pedras não chegam ao chão; desfazem-se em partículas inúteis, mesmo que para assentar de poeira numa calçada suja!

 

E os ventos se encarregarão de as manter em suspenso até que se transformem em nada...

 

Até um chão cinzento tem dignidade; um cobarde, mesmo que lhe adornem a "farpela" de cornucópias luzentes, nunca terá!

 

 

 

 

João Luís Dias

  

Carlos Pinto Coelho "Acontece"

 

 

Hoje, Carlos, já reposto da tua partida, trago-te outra vez aqui. E uma vez mais com o "gosto" da boa palavra na ponta da língua...

Obrigado por um dia me incluíres no teu naipe de entrevistados num dos melhor programas de sempre de divulgação cultural da televisão portuguesa por ti conduzido "ACONTECE".

Ah, visionei hoje - a custo - o video que a RTP (Rádio e Televisão Portuguesa) me ofereceu por essa altura. Obviamente que o não posto aqui. Tu só, na última conversa, vales muito mais do que na conversa comigo!...

 

Um abraço eterno amigo...

 

João Luís Dias

 

 

 

 

Porquê, senhora?!...

 

Perdoe-me que lhe pergunte, senhora:
Que tempo falta para esta tarde acabar?

Eu sei, não sabe como eu não sei!

Perdoe-me que lhe pergunte ainda, senhora:
É fumo ou nuvem aquela mancha cinzenta no céu?

Eu sei, não sabe como eu não sei!

Perdoe-me que lhe pergunta ainda mais, senhora?
Por que será que quando o vento agitas as árvores
as folhas voam todas na mesma direcção?

Eu sei, não sabe como eu não sei!

Uma só pergunta mais lhe farei, prometo
me perdoando, senhora:
Por que chora, me não parecendo triste?!

Eu sei. Desta vez sei, mesmo que me não responda:
chora porque não sabe como eu não sei
o tempo que falta para esta tarde acabar;
se é fumo ou nuvem a mancha cinzenta no céu;
por que voam as folhas todas na mesma direcção
quando o vento agita as árvores.
E não sabe, como eu não sei, rir
quando sabemos tão pouco de tudo
e quase nada de nós!...
Mas deveríamos aprender, senhora
porque as lágrimas são preciosas demais
para traduzirem a nossa ignorância!...

 

 

(Volto com este. E nem sei bem dizer porquê!)

 

 

Luz maior

 

Olho-te…

e leio-te os olhos

à luz que acendes nos meus

e vejo neles

e leio por eles

num só instante

o que não vi e li

ao céu aberto

aos corredores do horizonte...

nas horas de tantos dias

nos dias de tanta luz

acesos às chamas do sol!

 

Pág. 1/2