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POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

Estação - cantado

 

(à cidade de Viana do Castelo e sua estação)

 

Pediu lume e acendeu o instante

Entregou no rio, ao fundo, o olhar

e deixou possuir-se sem pressa…

Voltou aos versos

que lhe escorriam das mãos

trémulas, molhadas

vertendo no chão gotas mornas de si

e pediu ao silêncio que lhe declamasse a noite

ali, na estação

à espera da última partida…

 

 

E com este poema, o Afonso (teclas), a Bárbara (voz), o Nuno (Voz) e o Pinho  (guitarra), composeram e cantaram...

Um abraço para estes meus queridos amigos da CALIDUM

 

 

 

Sei de ti

 

Sabemos sempre, se acreditarmos que existe...

 

Sei de ti, o olhar...
Sei de ti, o sorriso que trazes lavado nos olhos
a brisa que te sopra nos cabelos
quando soltos pela manhã.
Sei de ti, que sonhas e inventas o mar...
a cor que pintas cada grão de areia
como enterneces cada onda que, de revolta
se acalma em espuma temperada de sal.
Sei de ti, as flores que te perfumam
de cada pétala que depositas no peito
e te embriagam de primavera!
Sei ti, o coração
da enormidade de afectos que dele transborda
e da vontade de partilhar
toda a nobreza que detém lá dentro!
Sei de ti, as mãos talhadas de prata em renda
os lábios rasgados a cinzel e fogo
e o beijo em lava que querem verter.
Sei de ti, a chama acesa que te arde no ventre!
Sei de ti...
Sei de ti, que existes
e isso é já saber
tudo que quero te ti!

 

 

Notícia

 

"JOÃO LUÍS DIAS APRESENTOU CORAÇÃO DE ALGODÃO"

 

 

"Em parceria com a Câmara Municipal de Terras de Bouro, o «Poeta da Montanha» apresentou, no dia 5 de Fevereiro, a sua obra poética «Coração de Algodão».
O Salão Nobre dos Paços do Concelho de Terras de Bouro foi o local escolhido para esta cerimónia e tornou-se pequeno para receber todos os convidados que se quiseram associar à apresentação da obra mais recente do escritor terrabourense e presidente da direcção do Clube de Autores Minhoto-Galaicos (Calidum), João Luís Dias.
O presidente da Câmara Municipal, Dr. Joaquim Cracel Viana, que abriu a cerimónia, considerou este dia histórico e muito especial, por João Luís Dias ser seu amigo de infância e por ter escolhido Terras de Bouro para fazer este lançamento. «A literatura engrandece o Homem e os nossos valores», sublinhou o presidente da Autarquia que realçou «o notório progresso da poesia do poeta terrabourense, principalmente a sua grandeza metafórica». João Luís Dias «é um exemplo que merece o nosso reconhecimento e, também, o carinho de todos os terrabourenses», sublinhou.

 

 

Depois, seguiram-se as palavras do alcaide de Lobios (Espanha) que considerou «ser motivo de orgulho para Terras de Bouro ter um poeta como João Luís Dias». Posteriormente, Pedro Barroso, poeta, músico e cantor, que veio exclusivamente para participar nesta cerimónia, destacou a poesia reunida no «Coração de Algodão» como tendo qualidade para ser apresentada em qualquer parte do nosso País, nomeadamente na sociedade Portuguesa de Autores. «Tal como acontece em muitos países europeus, se eu fosse ministro da Educação ou da Cultura, pagaria o salário a quem tem mérito, como João Luís Dias, dando-lhe tempo para que se pudesse dedicar exclusivamente à criação poética. Imaginem o que teria produzido Vergílio Ferreira se não tivesse de entrar diariamente, às 8 horas, no Liceu Camões!»
Pedro Barroso considerou importante que «os poetas maiores e com grandeza metafórica», como João Luís Dias, existam porque «os grandes artistas são homens que adoçam o Mundo, tornando-o mais brando e mais belo».
Nesta cerimónia usou, ainda, da palavra o jornalista Costa Guimarães que destacou «Coração de Algodão» como sendo «uma obra muito boa em qualquer parte do Mundo» e que de livro para livro se vê «o poeta João Luís Dias a crescer. A tornar-se cada vez maior».
O nosso «Poeta da Montanha» encerrou esta cerimónia com um agradecimento a todos os presentes e, em particular, à Câmara Municipal que acarinhou esta sua obra.
No final, a Calidum apresentou um momento musical preparado especialmente para esta cerimónia. O cantor Pedro Barroso foi convidado a cantar, sendo este um dos momentos altos da apresentação deste livro.

Quando o nosso Poeta da Montanha apresentou “Um poema, uma flor” escrevi, no dia 20 de Dezembro de 2008 neste jornal, que João Luís Dias era um grande poeta que devia orgulhar-nos a todos nós terrabourenses. Fui mais longe e ousei dizer que João Luís Dias era um «pastor do Ser», na tão bela expressão de Heidegger.
De facto não me enganei! A sua sensibilidade estética continua a revelar-nos o “Ser” e o encanto do que, sem ele, para nós não seria.
«Coração de Algodão» continua a mostrar o engenho e a arte do nosso «Poeta da Montanha», consolidando-o definitivamente como um Poeta Maior! E que, de acordo com o escritor inglês Gilbert Chesterton, «existe para mostrar ao homem pequeno, o quanto ele é grande».
Obrigado, João Luís! Tão só: muito obrigado por partilhares connosco a tua inspiração, o teu talento e os teus poemas!"

 

José Guimarães Antunes in Jornal Geresão, em 20-02-2011

 

 

Amor ao mar

 

Desamarra ao peito a barca
à maré cheia dos olhos
e deixa o céu desfrutar
cada poro do teu corpo
nas vagas mansas do mar

E o vento há-de soprar!...

Despe o corpo à noite toda
não te escondas do luar
deixa que as ondas se agitem
que desponte a madrugada
se horas são de abalar

E o vento há-de soprar!...

E quando o sol da manhã
pela praia se poisar
já a barca se atracou
já o céu te engravidou
de mais um filho do mar!

 

 

Visão

 

Ferveu meu sangue nas veias
à visão deslumbrante…
e me hipnotizou!
Parado ali, fascinante
logo ele me conquistou…
Era de uma elegância
que até o sol, sabendo dele
entoando versos de amor

brilharia mais que ao meio dia!

...
E quando a tardinha se foi
e a escuridão da noite chegou
olhei a foto no disco do computador
e vi que ele era mesmo o meu feitiço

aceso nos meus olhos!...

 

poema de Felipa Florença

 


Capa - Brasil

 

Por razões de "força de imagem" foi escolhida esta capa para a Edição no Brasil de CORAÇÃO DE ALGODÃO

Agradeço a todos quantos quiseram deixar a sua opinião

 

 

Edição de:

 

 

A apresentar brevemente no Brasil

 

Amigos

 

Grande amigo, Manel, fiquei surpreendido com a tua homenagem.

Sabes mais de mim do que eu mesmo!...

Um abraço do "poeta da tua terra"


 

http://passaarao.blogspot.com/2011/02/coracao-de-algodao-de-joao-luis-dias-o.html

 

 

E, claro, o fantástico blogue da minha terra, com um obreiro que nos orgulha a todos.

Obrigado, Zeca, pela sempre muita atenção para comigo e pelos videos sempre oportunos,  e que já me apoderei deles...

Gostei das fotos que postaste. (E diz lá se as minhas irmãs não são lindas?!...)

Um abraço do poeta da tua montanha também

 

 

http://terrasbouro.blogspot.com/2011/02/apresentacao-do-coracao-de-algodao.html

 

 

O canudo do Chico Moinas

 

O Chico Moinas, segundo diz, é o maior lá da rua. Ninguém lhe chega aos calcanhares, diz ainda. Tem uma mosca tatuada no braço esquerdo e nunca abotoa a camisa, para mostrar os raros pelos no peito que apara diariamente a pente e tesoura. É daqueles tipos que para ser cromo só lhe falta o auto-colante. Mas o Chico, apesar de comer cebolas cruas com sal grosso e arrotar a elas e a postas de pescada sempre que abre o armário para falar, acha-se um verbo fácil que traduz em prosápia de vendedor de andorinhas. Os seus dentes molares já se lhe foram desta para melhor. Mesmo assim o Chico acha-se o galã da rua e arredores. E venham elas que cá estarei para lhes fugir nas curvas, vai dizendo de peito inchado!

O Chico Moinas, nome de guerra, é um verdadeiro analfabruto e não tem bem noção do ar aparvalhado que, como uma auréola, o cerca. Se lhe colocassem um pavio aceso na boca daria uma lanterna que até o escuro lhe fugiria. Mas, diga-se e repita-se, o Chico não é completamente mau tipo e não teve culpa de não ter nascido numa esquina lá nos confins do planeta. Nasceu por cá, anda por cá e é por cá que o Chico vai, como pavão, desfilando assente nos tacões das botas de cano alto de pele cobra que ele próprio revestiu e sempre de espinha erguida, como que almirante de navio de casco roto.

O Chico é preguiçoso por vocação, que consolida com a opção de nada querer fazer. Ou melhor, é, e sempre foi, um verdadeiro calaceiro. Nunca quis estudar, como se alérgico a livros e cadernos. Nunca procurou um emprego, por se achar demasiado independente para servir um patrão. Vive de expedientes duvidosos e, quando em vez, arruma carros e cospe nos espelhos retrovisores para lhes dar brilho, a troco de uns cêntimos, mas sempre só depois do meio da tarde.

Nunca o Chico serviu ninguém, é verdade, mas também nunca ninguém se serviu dele. Nunca, até agora! Vou paragrafear e continuar…

Um dia destes o Chico Moinas foi convidado a frequentar aulas para curso médio de ensino a troco de subsídio e a contribuir, em nome do orgulho e brio do país, a desancar nos índices vergonhosos de baixa formação das nossas gentes lá pelos corredores da Europa.

Pois, o Chico Moinas desta vez foi cereja em cima do bolo para quem quer convencer alguém que o país, agora sim, vai ficar bem formado e mostrar canudos atados com fitas em cores vivas do conhecimento. Pois, esqueceram até que este tipo, que ainda vai servindo para alguma coisa, ri de outros que, justamente, merecem esta oportunidade e lhe farão bom uso.

Mas o Chico não tem culpa do desvalorizado canudo que lhe depositaram nas mãos e que o continuará a manter analfabruto, mas alguém tem!...

 

 

(para publicação também no Jornal "Geresão" - edição de Fevereiro/2011

 


Notícia

 

“CORAÇÃO DE ALGODÃO”: a música nos poemas

 

 

 

 

Transformar um poema numa música da autoria de um dos maiores cantores portugueses é o sonho de qualquer escritor e João Luís Dias concretizou-o, com a parceria de Pedro Barroso, o “trovador português”.
Essa alegria nasceu no salão nobre da Câmara Municipal de Terras de Bouro, na apresentação do livro “Coração de Algodão” escrito pelo operário do intercâmbio literário galaico-minhoto, através da editora e clube Calidum.
Aliás, isso mesmo foi sublinhado por Joaquim Cracel, presidente do Município terrabourense, que patrocinou a edição, quando deu os “parabéns” ao cronista, editor e poeta João Luís Dias pelo trabalho que tem feito na divulgação de escritores de um e de outro lado da Portela do Homem.
João luís Dias é um exemplo desse diálogo cultural que merece o reconhecimento dos terrabourenses” – destacou o autarca que estava acompanhado do seu homólogo de Lóvios, Lamela Bautista.
O autarca galego lamentou que não exista na sua terra o mesmo dinamismo e agradeceu à Calidum o que tem feito pelos autores galegos fazendo com que “a fronteira da Portela do Homem não exista ou seja uma ferida que está cicatrizada”.
Dirigindo-se ao autor de “Coração de algodão”, Lamela Bautista agradeceu a “oportunidade que nos dá para aprender coisas” pois com “pessoas assim não há adormecimento cultural. Sinto-me na minha casa”.
Cometendo a sua maior loucura automobilística – vir de Santarém a Terras de Bouro e voltar à cidade escalabitana no mesmo dia -, Pedro Barroso testemunhou o apreço que tem por este livro, para o qual assinou o prefácio.
O “trovador português” (que anseia por um espectáculo no Teatro Circo de Braga depois de tanto ter pedido a sua recuperação) descreveu “Coração de algodão” como “um momento enorme de paixão e homenagem à natureza geresiana” e o título “traduz a fase por que o poeta João Luís está a passar”.

Crítico mordaz da forma como Portugal (mal)trata os seus artistas, por comparação com o que se faz em outros países europeus, Pedro Barroso revelou que, no seu próximo CD, a sair lá para Novembro, vai incluir uma canção sua feita sobre um poema extraído do livro “Coração de Algodão”.
Na sala cheia, onde se viam os anteriores presidentes da Câmara Municipal, José Araújo e António Afonso, os amigos e admiradores de João Luís Dias ouviram o jornalista Costa Guimarães – numa intervenção com muita ironia e realismo - acicatar-lhes o apetite de ler estes 108 poemas porque “um livro só é um livro se for lido”.
A sessão terminou com o grupo musical da Calidum interpretar alguns poemas de autoria de João Luís Dias e musicados pelo Manuel Afonso enquanto Pedro Barroso nos deliciava com o espectacular “Ti voglio bene”.

 

 

A. Costa Guimarães, jornalista do "Correio do Minho"

 

 

(acompanhou a solo de guitarra, em improviso na hora, o músico da Calidum Luís Pinho)

 

 

Mirando...

 

Mientras mis ojos se abran por la mañana
a los prados verdes
creo...
permanezco mirando el despertar de las flores
Aunque el cielo se encuentre cinzento de tristeza
Todas las colores tiene suyo encanto;
hasta triste me conformo

 

  

(Serra do Gerês)

 

 

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