Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

ENTARDECER

 

Olhei, quieto nos teus olhos
grávidos de aroma e candura
um ventre em flor a abrir na Primavera.
Entontecido
porque embriagado 
no campo limado e morno do entardecer
falei-te e disse quase nada
por não saber dizer mais do teu olhar.
E volta de ti um poema
um poema maior
declamado em sussurro
que me trespassa pelo peito
como flecha acesa de licor e lume
tombando-me ao crepúsculo dos teus olhos
no salpicar imenso das palavras...
E fico internado na metáfora enorme 
que teceste lá dentro.



FRIO

 

 

À noite gelada

no céu fechado ao luar

aconchego-me

ao calor aceso dos olhos

na curta distância do pensamento...

 

 

NOITE*

 

Só comigo 
ao vidro baço da janela
no palpebrar cadente dos olhos
a noite é apenas noite
e o silêncio mudo 
ouve o sussurro 
dos versos que te chamam…
E o sorriso foi dormir
antes de mim
querendo-me a cama morna.
Se ausente te sei
mesmo que só um pouco
me ausento todo de mim...



*"in nominae", depois



ALZHEIMER

 

Adormeceste

pelo fim da maratona.

Sem que os dia te obriguem,

permaneces quieta,

serena,

para cá da fronteira dos mortais.

Tudo te existe

e tu estás tão pouco...

É sono demais,

não é, mãe?!

 

CHAMAS EM MIM

 

Não consigo parar…
Nada sei dizer
Sei que me turbam os olhos
Sei que acendo em artifício
Sei o que não consigo;
o que não sei
mas o que sinto, sei
se te vi, quando olhaste
quando sorriste
ao sol acocorar-se no horizonte
à luz dos teus olhos mornos 
lavados…
de beleza ímpar!



"TOMAR NO CU". DISSE, ESTÁ DITO

 

"se por acaso, algum senhor da Autoridade Tributária e Aduaneira tentar 'fiscalizar-me' à saída de uma loja, um café, um restaurante ou um bordel (quando forem legalizados) com o simpático objectivo de ver se eu pedi factura das despesas realizadas, lhe responderei que, com pena minha pela evidente má criação, terei de lhe pedir para ir tomar no cu".

FRANCISCO JOSÉ VIEGAS (ex Secretário de Estado da Cultura do actual governo)



Nota minha: "levar no cu", diz-se cá no norte do país



PAUL ANKA

 

Não sei porquê, gosto. 
Ok, confesso: foi a canção top do ano em que nasci.

Nasci no dia do maior nevão que há memória na região. Paul Anka cantava assim...

Agora sei porque me verte da alma poesia!





SEI DE TI

 

Sei de ti, o olhar... 
Sei de ti, o sorriso que trazes lavado nos olhos
a brisa que te sopra nos cabelos 
quando soltos pela manhã
Sei de ti, que sonhas e inventas o mar...
a cor que pintas cada grão de areia
como enterneces cada onda que, de revolta
se acalma em espuma temperada de sal
Sei de ti, as flores que te perfumam
de cada pétala que depositas no peito
e te embriagam de primavera!
Sei ti, o coração
da enormidade de afectos que dele transborda
e da vontade de partilhar 
toda a nobreza que detém lá dentro!
Sei de ti, as mãos talhadas de prata em renda
os lábios rasgados a cinzel e fogo
e o beijo em lava que querem verter
Sei de ti, a chama acesa que te arde no ventre!
Sei de ti...
Sei de ti, que existes 
e isso é já saber 
tudo que quero te ti!



SÃO VALENTIM

 

Por encomenda de SÃO VALENTIM, por antecipação

BEIJAR-TE-EI ternamente
Beijar-te-ei docemente
Beijar-te-ei apaixonadamente
Beijar-te-ei loucamente
Beijar-te-ei
mesmo indecentemente
Beijar-te-ei eternamente...
se a tua boca me trouxer à minha
o saber que te vejo nos olhos
e o sabor que te sei no coração...



Pág. 1/2