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POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

CHÃO DE CINZAS

 

 

(in Memoriam…)

 

E agora, que vais fazer
solto pelo chão ainda morno
e preso no teu medo?
Que vais fazer, agora
na hora do crepúsculo da tristeza
depois de voltares a olhar
a paisagem em cinzas?
Que contas vais fazer
se ninguém te paga a alma desgastada?
Que vais fazer nesta noite
com um garrote apertado no coração?
Vai, vai dormir na cama que te sobrou
e tenta sonhar com uma chuva de algodão
tão lavado quanto os teus olhos
que eu vou tentar acordar alguém
ou saber de alguém acordado...

 

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SUELO DE CENIZAS

 

(In Memoriam...)

 

Y ahora que vas a hacer
suelto por el suelo todavía caliente
y preso en tu miedo?
Que vas a hacer, ahora
en la hora del crepúsculo de la tristeza
después de volver a contemplar
el paisaje de cenizas?
Que cuentas vas a hacer
si nadie te paga el alma desgastada?
Que vas a hacer esta noche
con un bastón incrustado en el corazón?
Vete, vete a dormir
en la cama que te rechazó
e intenta soñar con una nube de algodón
tan lavada como tus ojos
que yo voy a intentar despertar a alguien
o saber de alguien despierto.

 

(poema meu, inédito, com tradução de Pilar Cid - Galiza, Espanha)

 

 

CINZAS.jpg

Foto: António Cotrim/Lusa. Fonte de procura: Google imagens "Pedrogão Grande"