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POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

VIVAM!

 

Vivam os inquietos, os inconformados, os sonhadores, os que respiram ar puro.

E vivam também os que comem, os que fodem, os que dormem e a acordam num "perpétuo movimento"...
Vivam todos, com saúde e por muito tempo!

 

 

SE FIZESSE

 

Se te fizesse um poema,

dizia-te do quanto ainda não sei dizer dos teus olhos,

por serem lindos demais, doces demais,

verdadeiros demais,

para que o diga eu, ou um qualquer poema.

Se te fizesse um poema,

dizia-te do quanto me enterneces e agitas

quando penso em ti e me ergo para ti,

na mira dos teus olhos

e como fico pequenino demais

para te fazer o poema grande que mereces,

por seres, assim...

encantadora e senhora de mim!

 

 

A MENINA DA BORBOLETA AZUL

 

Era uma vez uma menina tão doce, tão meiga e tão linda, que quando ao anoitecer se encostava no sofá, mesmo que só para um pequenino descanso, o sono ficava tão deslumbrado com os seus encantos que logo a levava com ele. As estrelas apagavam a luz para não a despertarem.

Enquanto dormia, a menina irradiava toda a claridade, para que a madrugado visse o caminho para chegar mais tarde.

O sonho, fascinado ao vê-la dormir, deitava-se a seu lado e não permitia sequer que a borboleta azul da menina lhe pousasse no colo para a acariciar, com medo que ela a acordasse.

E a borboleta acabava sempre por adormecer com ela, perfumada no seu cheirinho bom...

 

 

PARA QUÊ REGAR OS GIRASSÓIS?

 

Se num lado da terra o sol aquece e queima e no outro a chuva cai e inunda,
dizemos: é culpa das alterações climáticas.
E tudo fica dito, resolvido e arrumado.
Para quê, então, dois baldes, se o mesmo serve para apagar num lado e escoar no outro?
Se à noite obrigamos o corpo ao sono e pela manhã o castigamos, se nos obriga o ofício,
dizemos: a vida e o “stress” são os culpados destas trocas de vontades do sono.
E ficamos conformados, porque a indústria farmacêutica tem a solução; como se uma bola de naftalina para disfarçar o cheiro a mofo que se nos pousou.
Dificilmente a culpa é nossa. Dificilmente a solução parte de nós.
Há sempre alguém melhor e pior que nós (o pior que aguente, o melhor que faça). E é aqui que os pontos de desencontram. E quando, por mera sorte, se encontram, lá estamos nós para aplaudir, sem sabermos se culpados ou donos da culpa.
Se há flores de todas as cores, de todos os cheiros, em todas as estações, mesmo sem que algum dia tenhamos plantado alguma, para quê regar os girassóis, se eles não se queixam?...

 

 

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POETA/PALHAÇO

 

No “dia da poesia”
diferente d´outro qualquer
logo p´ lo nascer do dia
veste e bebe a fantasia
sê palhaço ou malmequer

 

Sê verso, rima, poema
sê archote, arco de fogo
sê sábio, sem teorema
sê riso, cordeiro e lobo

 

No "dia da poesia"
sê quem quiseres todo o dia...
pincel, cor e magia

 

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PAI

 

Hoje é o teu dia, mas ontem também foi. E foi na semana passada e há quinze dias…
Caramba, tens tantos dias!; tantos quantos eu te lembro. E lembro muitos. E gosto de lembrar.
Beijo
Ah, continuas um galã e eu continuo cheio de inveja de ti. Não me é fácil ficar assim! Que chatice!

João Luís

 

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Nothing Else Matters

 

Eu gravei, o João Gil Dias fez o resto...

 

 

Ah, depois resolvi escrever...

 

Se um poema 
quero o que ainda não soube escrever
Se um dia
quero o que ainda não soube inventar
Se uma balada
hoje quero
"Nothing Else Matters"
O resto...
quero depois

 

 

 

HORA DO CÃO

 

O cão ladrava sempre àquela hora
como se as horas de alguém
fossem sempre as horas dele.
O cão ladrava sempre àquela hora
como que chamando por alguém
na hora em que acordava.
O cão ladrava sempre àquela hora
quando já ninguém dormia.
O cão acordava sempre àquela hora
e só ele sabia porque ladrava…

 

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