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POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

REFUGIADOS

 

Que se abra a estrada da paz
a quem foge do terror 
que lhe plantaram na rua.
Que se acolha num chão seguro
a quem armadilharam o chão de medo.
Que se aconchegue num afago
a quem o mar bondoso
não depositou inerte e frio no areal.
Depois, só depois, muito depois
chamem as dúvidas e outras razões…
Não esqueçam que os filhos do mundo 
pertencem a todo o mundo.
E a logística, só depois.

 

 

PORQUE SIM

 

De pedras inventei mulheres
e paixões senti acocorado ao luar.
Já fui pueril, sonhador...
e endoideci agarrado ao peito.
Invento agora a mulher que me existe
sem ficção, sem delírios do meu querer tamanho.
Porque a "li" sem fechar os olhos.

 

 

 

ROSA

 

Fui eu quem a plantou. Fui eu quem a regou.

Fui eu quem acreditou que medrava...

Fui eu quem, agora, permitiu

que nela se pousasse uma gota de água, da chuva de verão.

Fui eu quem neste fim de tarde a fotografou colorida.

Não a fiz flor, rosa; deixei-a ser...

 

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E PERTO DO MAR

 

Na minha terra
as horas cansam do passar devagarinho
ao compasso lento do calendário;
até a manhã se esquece,
no intervalo longo do dia,
que existe o entardecer,
a noite e a madrugada.
Na minha terra
tudo passa sem pressa
como se não haja pressa para nada.
Na minha terra
até os pássaros se inquietam
por se ouvir o seu respirar ofegante
quando de ramo em ramo
pausam na estafeta constante do esvoaçar.

 

 

VIVAM!

 

Vivam os inquietos, os inconformados, os sonhadores, os que respiram ar puro.

E vivam também os que comem, os que fodem, os que dormem e a acordam num "perpétuo movimento"...
Vivam todos, com saúde e por muito tempo!

 

 

SE FIZESSE

 

Se te fizesse um poema,

dizia-te do quanto ainda não sei dizer dos teus olhos,

por serem lindos demais, doces demais,

verdadeiros demais,

para que o diga eu, ou um qualquer poema.

Se te fizesse um poema,

dizia-te do quanto me enterneces e agitas

quando penso em ti e me ergo para ti,

na mira dos teus olhos

e como fico pequenino demais

para te fazer o poema grande que mereces,

por seres, assim...

encantadora e senhora de mim!

 

 

A MENINA DA BORBOLETA AZUL

 

Era uma vez uma menina tão doce, tão meiga e tão linda, que quando ao anoitecer se encostava no sofá, mesmo que só para um pequenino descanso, o sono ficava tão deslumbrado com os seus encantos que logo a levava com ele. As estrelas apagavam a luz para não a despertarem.

Enquanto dormia, a menina irradiava toda a claridade, para que a madrugado visse o caminho para chegar mais tarde.

O sonho, fascinado ao vê-la dormir, deitava-se a seu lado e não permitia sequer que a borboleta azul da menina lhe pousasse no colo para a acariciar, com medo que ela a acordasse.

E a borboleta acabava sempre por adormecer com ela, perfumada no seu cheirinho bom...