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POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

EXCESSIVO, POR TI

 

Serei excessivo
quando reclamo

por três segundos da tua ausência.
Serei excessivo
quando regateio

os teus beijos na hora em que não estás.
Serei excessivo
quando te sustenho

entre as flores suspensas da minha Babilónia.
Serei excessivo
quando pouso o sol nos teus olhos
e o vento para o sopro dos teus lábios.
Serei excessivo
quando te quero

nas horas desconcertadas da madrugada.
Serei excessivo
quando te chamo

pétala perfumada no meu peito.
Serei excessivo, ou não
se te disser do amor grande

enorme
que me dás a beber…

 

 

GUARDIÃ DO PARAÍSO

Quero o teu beijo 
doce, quente
molhado, demorado…
guloso na minha boca
sufocada na tua.
Quero os teus olhos fechados
meigos, (in)quietos
ao toque das mãos ágeis
irrequietas na descoberta…
Quero descer ao teu íntimo
ao enclave majestoso do teu corpo
e tocar e saborear 
e querer-me internado nele
como se nele
soubesse do melhor do paraíso!

 

 

SERENAMENTE

 

Olho-te, serenamente
ao esfregar dos olhos
e sei-te moderna e linda
como te quer a cidade;
despida, mulher e minha
como te quero eu.
E do licor/perfume
desse, de tão bom
bebe a cidade, um pouco
bebo eu, parte maior
e ainda sobra tanto
para embriagar o céu imenso
o sol e as flores.

 

 

PONTO DE MIRA

 

Aponto o olhar ao horizonte
e sei-te levantada num sorriso;
de paisagens nos olhos
de mel nos lábios
perfumada em rosas rubras de verão...
E fica a certeza no peito
de que vale a pena acreditar
que nunca se está distante
se sentimos que alguém nos quer por perto 
e temos na mira do sentir e do querer
no dilatar das veias
ao disparar do coração...
 
 
 



OMBRO DE BORBOLETAS

 


Não és a guardiã do paraíso;
o paraíso não tem muros, nem portas,

nem chaves, nem alguém que o tranque.
Não és sereia à tona das águas do mar;
o mar é frio e tanta vez revolto

para te acolher e embalar nas ondas inquietas demais.
Não és chuva, nem vento nem tempestade,

nem raio de sol, ou noite de luar;
isso seria poesia.
Mas nos teus ombros pousam borboletas
e foi quando corria atrás delas

que encontrei no teu peito

a mais florida e perfumada primavera.

 

 

 

 

MALÈNA

 

Tu eras o sol e foste…
dorida
vestida de nevoeiro.
Voltaste depois
no tempo das laranjas
que colhi maduras do chão
para adoçar a tua boca

proibida

na fronteira com os meus olhos…



(ver, para se entender...)

 

 

 

ALMA AZUL

 

Pasmo nos recantos que me prendem

à nudez dos teus olhos de luar!

E cada estrela que acendes

antecipa a luz no infinito…

onde, pelo amanhecer

te guardas serena e linda

de alma lavada de azul.

 

 

 

 

 

ACHO EU

 

O amor é um edifício que construímos 
sem areia e sem cimento,
mas que resiste erguido
se o segurarmos com o coração
e uma dose q.b. de loucura.
E no dia em que rejeitarmos um "amor doido", 
endoidecemos
e o amor perde a "graça".