Tudo ou nada
Se um dia o chão me for menos chão
e a terra, apenas pó
à mercê do sopro ao vento fraco…
Se um dia a claridade
me for apenas de sol encoberto
e se o meio dia se atrasar
por descuido ou cansaço
e os ponteiros do relógio
carcomidos, se quebrarem
no ócio das horas
no pasmar do tempo
já não se serei eu a cavar o chão
para semear e colher…
Já não serei eu por ali, sequer
porque não me quero
num chão sem mais nada
Mas, se lá estiver
não estou!...
inédito