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POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

Cartas de amor ou de pó

 

Uma carta pode, ou podia, rasgar-se, deitar-se ao fogo e morrer na sua recepção. Mas pode, ou podia, ficar para sempre, como testemunho maior do encantamento de um dia ou de uma vida.
Mas hoje são raras as cartas que se escrevem. E vamos ficando órfãos desses sinais de afectos.
Partilho hoje esta que invento e escrevo. E que volte a saber bem enviar e receber uma carta, me

smo que de amor, ou de pó…

Olá

Parafraseando o poeta – que em trovas perguntava – também eu queria saber: que força é essa que te faz fugir?! Como te escondes?!
Quis saber dos teus motivos, e só os poderei entender à luz dum enredo medieval romanceado, onde a princesa, aprisionada às regras e preconceitos do seu palácio, não pode, em tempo algum, imiscuir-se do seu estatuto de nobreza e soltar a boca e a alma, mesmo que o pretendente ao seu afago seja um leal soldado, que a vida daria pelos delírios do seu coração, movidos pelos mais nobres sentimentos. 
Poderia ser forte este argumento, mas, no caso, não me parece fazer qualquer sentido, até porque nem tu és realeza, nem eu soldado. Seremos, tão só, fascinante, tu, quando deixas os teus olhos debruçarem-se sobre um outro olhar que a eles fica cativo e leal guerreiro, eu, quando teimo em cavalgar para perto do encantamento dos teus olhos, para me embriagar no licor do teu “feitiço”…
Bem, deixemos para lá as histórias de encantar, porque ficcionistas existem que as saberão inventar melhor do que eu. Sei bem que à tua mesa, dose de cardápio adoçado nem servida à míngua.
Das coisas que a vida me ensinou, uma delas é, sem dúvida, de relevante valor: desistir será, não direi morrer, porque detesto ser terminantemente dramático, mas viver nas imediações da sua antecâmara. Por isso não vou desistir de te querer ver e falar, porque fico dorido e furibundo – porque incompreensível – sempre que me impedem de colher uma flor, mesmo que fechada em canteiros babilónicos, onde poderei sufocar de excesso de aromas.
Mas, mesmo nesses jardins, existirão sempre muros que poderão ser transpostos, com a vantagem maior de nos tornar, se não alpinistas, algo modernamente radicais. E isso fortalece-nos o espírito. E é no espírito que todos os dias renasce o nosso querer. Assim, na dúvida, continuarei…

Um abraço afectuoso


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