Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

Intuição

 

Não te sei dos pulsos

não sei como estendes os cabelos

Não te sei da boca

não sei onde te assentam os pés

Não te sei das ancas

não sei quando te cansa o olhar

Não te sei dos seios

não sei se te humedecem as mãos…

Não te sei…

não sei…

Mas vales demais

porque sabes

que te quero inventar

a meio caminho do coração e dos versos!...

 

 

Excesso - Pedro Barroso

 

Quem diz e canta assim, diz e canta tudo...

 

Parabéns grande trovador e amigo!

 

 

 

 

(Pedro Barroso a meu lado, em apresentação de "Coração de Algodão", que prefaciou)

 

 

AMOR AO MAR

 

Desamarra ao peito a barca

à maré cheia dos olhos

e deixa o céu desfrutar

cada poro do teu corpo

nas vagas mansas do mar

E o vento há-de soprar!...

Despe o corpo à noite toda

não te escondas do luar

deixa que as ondas se agitem

que desponte a madrugada

se horas são de abalar

E o vento há-de soprar!...

E quando o sol da manhã

pela praia se poisar

já a barca se atracou

já o céu te engravidou

de mais um filho do mar!

 

 

in "Coração de Algodão"

 

 

Memórias

 

No Regimento de Cavalaria, quando o dever me obrigou...

 

 

Fui polícia, fui soldado

Estive fora da nação

Vendo jogo, guardo gado

Só me falta ser ladrão!...

 

(António Aleixo)

  

Terras de Bouro

 

A minha terra quero-a inesgotável,

para a descobrir a cada grama de pó,

a cada galho de urze...

porque, como num poema,

há sempre uma linha mais

para um verso maior para ela... 

 

 

 

 

Que não lhe chamem poema, porque o não é, o que disse


Ciclos

 

 

 

 

E agora, depois da última cavalgada

volto às palavras.

Porque o poeta cai ao chão a cada verso

e a cada poema se levanta.

E no constante soluçar

sem tempo dos olhos secar

vai despertando...

 

Fiquem para ver!...

O meu olhar...

 

Para que não digam "que só falei de flores", fui ouvir e ver a água no adormecer, ao frio das margens...

 

No rio, quase ao "verter das águas"...

 

Do meu arquivo pessoal.

 

 

 

Saudade

 

Quando o Sr. Adelino Machado me veio mostrar pela primeira esta foto começou a chorar?! Quis escrever sobre aquele momento - eu que me julgo poeta - e não consegui; impossível poema maior do que lhe vi descer pelos olhos...

 

Sentado, o meu pai (João José Dias), ladeado por dois grandes amigos (José Aires Nicolau e Adelino Machado), estes felizmente ainda por cá...

 

Quem parte fica ainda mais...

 

 


"Terra de Outono" - Hino de Souto

 

Um dia o presidente da Junta de Freguesia de Souto, concelho de Terras de Bouro, pediu-me para lhe escrever um poema para hino da terra. Nunca tal coisa imaginei escrever. Mas escrevi. Depois telefonei ao Pedro Barroso (tão só um dos maiores cantores /compositores do país) e falei-lhe do hino e pedi para que ele o musicasse. Não só o fez, como fez quase mil kilómetros para o fazer, cantar e permitir a gravação, mesmo que artesanal, a troco dum abraço...

Os homens vêm-se nos gestos...

Aqui vai o que ambos fizemos...

 

 

TERRA DE OUTONO                      

Dos castanheiros de Outono 
No Inverno as folhas vão…
Mas, da Primavera, as flores
Radiosas, de mil cores
Essas ficam para o Verão.
Se a teus pés o Rio Homem
Te refresca em água fria
Tens tu Souto em Santa Cruz
A figura de Jesus
Vigilante noite e dia.
Outrora, em tempo distante
Foste vila, lei, verdade…
E a forca que punia
Memória de pedra fria
Em terra de liberdade!...
A sul, em trilho traçado
A história por ti reclama...
Que o Império então formado
Te legou no chão marcado
Milenar “Geira” romana.
No extremo do concelho
És bordada a verde e ouro
São Salvador é patrono
Desta rainha do Outono
Que é Souto, Terras de Bouro.
Em Souto, terra de Outono
As folhas partem sem querer
Fica a alma aconchegada
Tanta terra, tanta estrada
E é nesta que eu quero viver!...
Fica a alma aconchegada
Tanta terra, tanta estrada
E é nesta que eu quero viver!...

João Luís Dias 

Pág. 1/2