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POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

VALSA DOS OLHOS

 

Valsam tristes os meus olhos
se não valsarem nos teus
Valsam tristes os meus olhos
se no ladrilhado onde valsas
não há flores que te colhi
Valsam tristes os meus olhos
se valsas e eu não estou
Valsam tristes os meus olhos
se nas voltas da valsa que quero
elas se não voltam para mim
Valsam tristes os meus olhos
se a valsa, sem ti nos braços
não chega ao fim






PARTILHA

 

Empresta-me o olhar
e pela pele do rosto
deixa descer uma gota
do sorriso claro e calmo.
E da boca...
da boca
que se agita
tremente aos lábios
sente a naufragar o desejo
ao beijo esquivo
que se quer temperado
na água morna que encharca
e se reparte...

 


FELIZ NATAL

 

Bem, está na hora: 


FELIZ NATAL, COM SAÚDE E PAZ.
ACREDITEM, DIAS MELHORES VOLTARÃO.


Deixo aqui, intimamente, uma canção bonita, composto e cantada pelo primo ZÉ DIAS (um jovem médico - 24 anos - com um amor grande, também, pela composição e interpretação musical. 
E que, parece-me, terá dificuldades em escolher a paixão a seguir no futuro!




O QUE ME AFLIGE (NESTE NATAL)

 

 

Não me aflige
apertar o cinto e vergar à crise que me impuseram
tornando mínima a classe média
mas aflige-me
saber que tornam miserável 
a "classe" dos que sempre tiveram menos
e continuam gordos os vampiros…
Não me aflige
o desprovimento do meu cartão de crédito
que reduz à míngua as compras, outrora fartas
mas aflige-me 
saber de um mecânico de mãos gretadas do ofício
impedido de permanecer nas instalações dum banco
e exposto à mais vil humilhação do homem 
por trajar roupa simples de trabalho (mesmo que lavada)
lembrando o regresso das elites bolorentas
que fedem a naftalina e sufocam em nós de gravata
quando vomitam prosápia de vendedores de rifas.
Não me aflige
o presépio sem vaca, sem burro
sem prendas, sem estrelas no céu…
mas aflige-me
saber que se mantêm os tiques de arrogância 
e dogmas inquebráveis 
dos que se escondem em Deus
quando os homens chamam por eles…



NATAL ANTIGO

 

Do natal antigo
que o tempo deixa em desuso 
sinto o cheiro do musgo
levantado nas pedras no monte
para o chão do presépio
feito ao esmero da emoção de criança;
das figurinhas em barro colorido e tosco
da vendedeira de Barcelos
na última feira de novembro.
Do natal
que o tempo modernizou
sei, apenas
que mil prendas se repartem
e outras mil
mesmo que menores
seriam precisas
para um natal
que se deveria querer de todos…



Estação de Viana

 

 

Pediu lume e acendeu o instante.
Entregou no rio, ao fundo, o olhar
e deixou possuir-se sem pressa…
Voltou aos versos
que lhe escorriam das mãos
trémulas, molhadas
vertendo no chão gotas mornas de si
e pediu ao silêncio que lhe declamasse a noite;
ali, na estação
à espera da última partida…

 


E aqui cantado...




Clube dos poetas e avós - Porto

 

Foi um prazer ter estado no Porto, no Clube dos Avós e Poetas, como convidado especial, numa tertúlia fantástica, onde respiram e respirei um ambiente fantástico, porque enorme de valores grandes.

E que se mantenham estas tertúlias riquíssimas. Quem sabe, voltarei outro dia.

Um abraço de muita amizade para todos. E que bibó Porto, caramba!

 




Doce de amor

 

Queima-me devagar na tua boca

ao fogo aceso dos olhos
e senta-me depois
entontecido de emoção
no paraíso morno do teu coração
onde te tricotar 
com versos de seda
um lenço branco 

que te colha as lágrimas
quando, valendo a pena
chorares de amor
ainda que sorrindo
doce, como sorris

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