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POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

NÃO É TARDE

 

Não é tarde no teu olhar.
Não é tarde no teu sorriso.
Não é tarde, sequer
se tarde te olho…
Porque nos teus olhos
vejo manhãs
todas as manhãs bonitas
dos dias que me acordaram
e que quis que tardassem
em anoitecer…

 

PRENDA

 

Queria dar-te 
um mar imenso 
um campo em flor 
as manhãs ao despertar
o sopro fresco do vento
o sol raiando
o calor. 
Queria dar-te 
um rio grande a descer 
ribeiras que ele acolhe 
águas de lima
refrescos
fontes fartas a verter.
Queria dar-te 
gotas de orvalho
cristais
paisagens em esplendores
rosas de todas as cores
perfumadas nos beirais.
Queria dar-te 
o doce que verte um beijo
um abraço enternecido
um afago
um horizonte...
uma tarde ao pôr-do-sol
o olhar solto ao desejo…
Queria dar-te 
tudo de mim
o meu sonho…
que o sono teima em guardar.



TROVA MEDIEVAL (cantiga d´amigo)

 

Sedia la fremosa seu sirgo torcendo,
sa voz manselinha fremoso dizendo
       cantigas d'amigo.
 
Sedia la fremosa seu sirgo lavrando,
sa voz manselinha fremoso cantando
       cantigas d'amigo.
 
- Par Deus de cruz, dona, sei eu que havedes
amor mui coitado, que tam bem dizedes
       cantigas d'amigo.
 
Par Deus de cruz, dona, sei [eu] que andades
d'amor mui coitada, que tam bem cantades
       cantigas d'amigo.
 
- Avuitor comestes, que adevinhades!

 

 

Estevão Coelho (autor medieval)

 

CURIOSO, O AUTOR É DE TERRAS DE BOURO (a minha terra)

Estêvão Peres Coelho, neto do trovador João Soares Coelho. Designado nos Livros de Linhagens por Estêvão Coelho de Riba Homem (localidade nas Terras de Bouro doada por Afonso III ao seu avô), era filho de Pero Coelho, que foi meirinho-mor de D. Dinis, e terá nascido no último quartel do século XIII. Documentado a partir de 1305, a sua atividade trovadoresca terá decorrido, pois, nas primeiras décadas do século XIV, ou seja, no período final da escola galego-portuguesa. 
Foi casado com Maria Mendes Petite, havendo notícia de se ter estabelecido na região da foz do Douro. Terá morrido ainda relativamente jovem, talvez por volta de 1330, ano em que sua mulher assina um documento de troca de propriedades no qual Estêvão Coelho já não é referido

 

 

Ouça aqui...

 

http://cantigas.fcsh.unl.pt/versaomusical.asp?cdvm=99

 

 

 

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