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POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

PARA QUÊ REGAR OS GIRASSÓIS?

 

Se num lado da terra o sol aquece e queima e no outro a chuva cai e inunda,
dizemos: é culpa das alterações climáticas.
E tudo fica dito, resolvido e arrumado.
Para quê, então, dois baldes, se o mesmo serve para apagar num lado e escoar no outro?
Se à noite obrigamos o corpo ao sono e pela manhã o castigamos, se nos obriga o ofício,
dizemos: a vida e o “stress” são os culpados destas trocas de vontades do sono.
E ficamos conformados, porque a indústria farmacêutica tem a solução; como se uma bola de naftalina para disfarçar o cheiro a mofo que se nos pousou.
Dificilmente a culpa é nossa. Dificilmente a solução parte de nós.
Há sempre alguém melhor e pior que nós (o pior que aguente, o melhor que faça). E é aqui que os pontos de desencontram. E quando, por mera sorte, se encontram, lá estamos nós para aplaudir, sem sabermos se culpados ou donos da culpa.
Se há flores de todas as cores, de todos os cheiros, em todas as estações, mesmo sem que algum dia tenhamos plantado alguma, para quê regar os girassóis, se eles não se queixam?...

 

 

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POETA/PALHAÇO

 

No “dia da poesia”
diferente d´outro qualquer
logo p´ lo nascer do dia
veste e bebe a fantasia
sê palhaço ou malmequer

 

Sê verso, rima, poema
sê archote, arco de fogo
sê sábio, sem teorema
sê riso, cordeiro e lobo

 

No "dia da poesia"
sê quem quiseres todo o dia...
pincel, cor e magia

 

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PAI

 

Hoje é o teu dia, mas ontem também foi. E foi na semana passada e há quinze dias…
Caramba, tens tantos dias!; tantos quantos eu te lembro. E lembro muitos. E gosto de lembrar.
Beijo
Ah, continuas um galã e eu continuo cheio de inveja de ti. Não me é fácil ficar assim! Que chatice!

João Luís

 

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Nothing Else Matters

 

Eu gravei, o João Gil Dias fez o resto...

 

 

Ah, depois resolvi escrever...

 

Se um poema 
quero o que ainda não soube escrever
Se um dia
quero o que ainda não soube inventar
Se uma balada
hoje quero
"Nothing Else Matters"
O resto...
quero depois

 

 

 

HORA DO CÃO

 

O cão ladrava sempre àquela hora
como se as horas de alguém
fossem sempre as horas dele.
O cão ladrava sempre àquela hora
como que chamando por alguém
na hora em que acordava.
O cão ladrava sempre àquela hora
quando já ninguém dormia.
O cão acordava sempre àquela hora
e só ele sabia porque ladrava…

 

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VIVAM!

 

(Porque hoje é o dia da SAUDAÇÃO, acho eu! Se não é, passa a ser)

 

Vivam os que sabem ler e os analfabetos. Mas estes estão ainda a tempo de aprender, se os ensinarem.
Vivam os heterossexuais, os homossexuais e vivam também os que não são carne nem peixe.
Vivam as mulheres e os homens, as crianças e os idosos. E já agora, vivam também os “filhos da mãe”. Mas estes que vivam menos.
Vivam os dentistas, os trapezistas, os músicos, os agricultores. Mas estes que se deixem de procurar mulher para casar em programas de televisão, que se sujeitam a levar para casa uns tamancos, convencidos que ganharam os sapatos novos de estilo requintado.
Vivam os gratos, os gatos, os cavalos de puro sangue e os outros também. Mas os ingratos que vivam longe, pois nem os animais os querem por perto.
Vivam as vendedoras de flores, os condutores de tractores, os gigantes e os anões. Mas vivam muito pouquinho os aldrabões.
Vivam os criadores, os sonhadores, os pintores e os comedores. Mas estes que vivam afastados, para deixarem os outros comeram também.
Vivam os palhaços, os poetas, os honestos e os trapaceiros. Mas estes que vão viver para o “caralho”. Sim, para esse lugar, bem lá no alto do mastro do navio.
Viva eu, que também mereço, e viva o meu vizinho, que é boa pessoa.
Vivam todos! Uns mais perto do que outros.

 

 

ENTARDECER

 

Olhei, quieto nos teus olhos
grávidos de aromas e candura
um ventre em flor a abrir na primavera.
Entontecido, porque embriagado 
no campo limado e morno do entardecer 
falei-te e disse quase nada
por não saber dizer mais do teu olhar.
E volta de ti um poema
um poema maior
declamado em sussurro
que me trespassa pelo peito
como flecha acesa de licor e lume
tombando-me ao crepúsculo dos teus olhos
no salpicar imenso das palavras.
E fico internado na metáfora enorme 
que teceste lá dentro.

 

 

1 SEGUNDO

 

Um instante para te olhar.

Um momento para te saber.

Uma eternidade para te guardar

e me perguntar...

E um segundo, ou pouco mais

para to dizer num poema.

 

 

 

 

 

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