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POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

CEIA

 

Encolheu os ombros,
suspendeu os braços
e deixou o sangue arrefecer
nas pontas dos dedos.
O céu acinzentou-se,
fez-se baço o horizonte
e o crepúsculo apagou
todas as linhas da mira dos olhos.
Fez-se noite prematura
de estrelas ainda apagadas.
A lua abortou acocorada e fria.
A noite gelou no escuro
e o gato, num rompante,
mergulhou no aquário
e surpreendeu
o último peixe azul.

 

OUTUBRO

 

Das tílias caem as folhas secas
deformadas e sem cheiro.
O sol, ao entardecer,
já não sai aceso como saía,
por entre os ramos dos plátanos.
É outubro, prenúncio do frio,
do céu cinzento e tímida cor,
na eminência das chuvas.
O inverno já se estende ao testemunho

para continuar a estafeta.
E outros pássaros virão,
saudosos do aconchego dos ninhos

que resistiram...

 

INTENSAMENTE

 

Quero-te devagar
com mãos de seda
toque de embalar
boca de amêndoa
lábios de sede
e beber-te e saborear-te
sem tempo e sem reservas…
Depois, em sofreguidão
no acender dos olhos
no transpirar das mãos
no desespero do corpo
ao desnorte do desejo
quero amar-te
intensamente
até ao verter das fontes