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POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

VIVAM!

 

Vivam os letrados, os menos formados e os analfabetos. Mas estes estão ainda a tempo de aprender, se quiserem e os ensinarem.
Vivam os heterossexuais, os homossexuais e vivam também os que não são “carne nem peixe”.
Vivam as mulheres e os homens, as crianças e os idosos. E, já agora, vivam também os “filhos da mãe”. Mas estes que vivam menos.
Vivam os dentistas, os trapezistas, os músicos, os agricultores. Mas estes que se deixem de procurar mulher para casar em programas de televisão, que se sujeitam a levar para casa uns tamancos, convencidos que ganharam uns sapatos novos de estilo requintado.
Vivam os gratos, os gatos, os cavalos de puro sangue e os outros também. Mas os ingratos que vivam longe, pois nem os animais os querem por perto.
Vivam as vendedoras de flores, os condutores de tratores, os gigantes e os anões, mas vivam muito pouquinho os aldrabões.
Vivam os criadores, os sonhadores, os pintores e os comedores. Mas estes que vivam afastados, para deixarem os outros comerem também.
Vivam os palhaços, os poetas, os honestos e os trapaceiros. Mas estes que vão viver “p'ro caralho”. Sim, para esse lugar, bem lá no alto do mastro do navio, para levarem com o vento nas trombas.
Viva eu, que também mereço e viva o meu vizinho, que é boa pessoa.
Vivam todos, mas uns mais perto de nós do que outros.

 

 

SAUDADE E EU

 

(Para canção)

Folhas ao vento

Podem ter que voltar

Vou querer parar o tempo

Já aprendi a te esperar

 

Rego a vontade

Cá dentro do meu peito

Colho flores ao fim da tarde

Dum jardim feito ao meu jeito

 

Guardo o perfume

Que um dia me deixaste

Nos olhos acendo o lume

Deito o sono onde sonhaste

 

Invento a noite

Linda, sempre a brilhar

Caso a vontade e a sorte

Vejo-te à noite ao luar

 

Tenho a estrada

Um chão só meu

Saudade e eu…

 

Adio o beijo p´ra ti

Solta o olhar e sorri

Dentro do peito tenho a pulsar

Razão maior p´ra te abraçar

 

FINADOS

 

Se em novembro, pelos finados,
de céu cinzento e chuva certa,
colheres flores viçosas do chão,
é sinal que o sol brilhou
e nem sempre se escondeu,
que o melhor da primavera ficou...
que a lembrança não morreu
e que a vida não foi em vão.