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POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

PEC - PARA A MAMA FARTA

 

Paciência tenho eu, o que me f… são os nervos!

Esta confissão/desabafo é elucidativa do estado de espírito de muito boa gente deste país: são calminhos, pacatos, vão comendo pela medida de Barcelos (agora pela malga mais pequena), calam, mantêm paciência de santo, mas estão literariamente f… E isto devido a um tal PEC (Plano de Estabilidade e Crescimento) que, como sarna, nos vai obrigando a coçar até ao osso. Veio um, veio outro, mais outro e outro mais ainda. E já cá cantam quatro. E o galo ainda está para mais cantorias, enquanto se aninha o resto da capoeira e os mercados esperam a fervem a água para depenar os frangos um a um.

O país deve as penas aos pássaros, sabemos disso, mas, caramba, não será com penas que haveremos de pagar aos passarões - entendam-se, os mercados financeiros internacionais - que já fartos da nossa penugem nos vão querendo agora o fígado e a moela, já que as pedras do papo não lhes interessam. Querem o el contado, como diz o vizinho do lado, já, como nós, com o estômago a colar às costas.

A dívida soberana, que anda a deixar de calças nas mãos os países, entre os quais o nosso, é uma espécie de calote crónico, que aborrece mas não envergonha, ou de doença de psoríase, que chateia mas não mata. Mas esses calotes têm de existir e sempre, pois se acabassem com eles os mercados deixariam de ficar nervosos, para morreram de subnutrição por falta de mama.

Por isso, caros senhores das economias e finanças o vosso ganha-pão está assegurado; hão-de ter sempre contas atrapalhadas de países para falarem, discutirem, fazerem prognósticos e encontrarem soluções, mesmo que em cartola sem coelho escondido.

Como nota de rodapé – para que se não diga que dou água sem caneco – a minha sugestão: vamos cantando e rindo que f… já estamos!

 

 

Para publicação também no jornal Geresão, edição de Março/2011

 

 

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