INVERNO DEMAIS
Que me importa se enche ribeiras e rios,
se as águas se perdem no mar.
Que me importa se a chuva cai
como fios retalhos de seda,
insinuando valsas, quando soprada pelo vento,
se mesmo assim me humedece o rosto
as mãos e os pés,
chamando a tosse, a gripe e as constipações.
Que me importa saber se o sol não fugiu para longe,
se se esconde por detrás das nuvens
e não aquece sequer uma flor.
Que me importa se a chuva é precisa,
se o frio é preciso,
se afinal me consigo aquecer e resguardar,
mesmo que aprisionado, com uma lareira acesa,
à custa de uma árvore decepada.
Estou cansado de ti, inverno;
vai dar uma volta, antecipa-te
e deixa no teu lugar a primavera.