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POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

POEMAS E RECADOS

poemas e textos editados e inéditos de JOÃO LUÍS DIAS

PESSOAS

 

Conheci-o pessoalmente há dezoito anos. Escrevi-lhe um postal e ele respondeu na volta do correio. Elogiei-o e pedi-lhe desculpa por o incomodar. Ele, sabe-se lá porquê, achou-me graça. Ficámos amigos. Ele, gordo, talentoso e famoso, aberto ao mar e ao mundo. Eu, esguio, aprendiz de sonhos e de palavras, escondido atrás de pedras.

É, seguramente, o melhor autor, compositor e intérprete da música/canção em língua portuguesa. Nasceu em Lisboa, estudou em Lisboa, cantou e representou a liberdade, nos tempos em que era preciso, pelo país inteiro, mas regressou ao coração do Ribatejo - Riachos, margem do Rio Tejo – à casa do pai, respeitado professor primário local.

Chama-se Pedro Barroso. É gordo. É gordo, sim, de bondade, de coração, de afectos, de respeito pela portugalidade e coisas que valem nela pela qualidade. É gordo, sim, no saber escrever, no saber dizer, no saber cantar, no saber tocar, no saber compor, no saber deliciar quem o ouve há quase cinquenta anos. É gordo no querer e saber chamar a mulher de “coisa maior”. E o muito que ele nos oferece sabe-nos sempre a pouco, porque é bom demais o que ele deu e dá.

Um dia escreveu, compôs e cantou “Menina dos olhos de água”, e nunca mais nos saiu dos olhos a água que ele fez verter nesse poema/canção e nos olhos de quem a sente. Só é eterno o que realmente é soberbo e, se mais não houvesse dele, já seria suficiente esta canção para o elevar ao pináculo dos melhores.

Depois fez mais mil canções, inteiras e completamente suas e sempre de qualidade enorme. Abriu poucas excepções para cantar palavras de outros. Neste caso, escolheu sempre os melhores: Cesário Verde, Sophia de Mello Breyner, José Saramago, alguns poetas medievais - como o Rei D. Dinis, entre muito poucos outros. Já, recentemente, num gesto, sei lá… de bondade, amizade e de incentivo, cantou um poema meu e outro duma amiga comum - a Maria José Praça.

Pedro Barroso, não só encheu e enche, pelo país e pelos quatro cantos do mundo, há tantos anos, salas, em concertos e difusão do melhor da música e da poesia portuguesa; encheu e enche a alma dum país, por um país que ele sempre acreditou e ama.

E o resto, até a morte, que tenham paciência e esperem. Ele ainda não está para aí virado. Caramba, não sejam chatos, porque ele ainda tem maçãs para comer, sentado num piano, enquanto os mãos e as lágrimas e o saber lhes fizerem coro…

 

PEDRO BARROSO E EU.jpg